segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Onde o mundo parou.

Hoje a Itália nasceu preguiçosa e dolorosa. Tão dolorosa que me fez faltar ar e pensar em tantas coisas. Hoje a manhã chorava e respirava devagarzinho, enquanto eu apenas me mantinha segura na minha cama – não minha, da casa. Com os olhos tão fechados que nem precisava do breu do quarto pra brincar que era noite.

Como sempre o dia se arrastou, mas ao chegar ao final do dia, tive a impressão de que passou tão rápido que eu nem pude senti-lo. Hoje o dia morreu e nasceu várias vezes, ou talvez o tempo tenha morrido e nascido várias vezes. Por hoje, assim como por todos os dias, o inglês se misturou com o italiano, que me faziam pensar em português.

Assim tão longe, eu só penso em voltar. Mas a duvida, afinal não é como voltar – afinal já tive a proeza de descobrir – mas sim de como agüentar até a neve cair. Essa cidade deve ser tão linda com a neve! Queria ficar aqui e ver as lágrimas de neve que caem do céu a partir de novembro – num talvez bastante duvidoso.

Só quero ouvir uma voz carinhosa, me chamando para um café quente durante a tarde que insiste em continuar vagarosa e ociosa. Talvez, na realidade, tudo o que poderia me salvar não seja o café – apesar de que adoraria tomar um agora – mas sim um abraço. Daqueles que você não respira, sabe como?

Chego numa conclusão: abraços, assim como sempre falei, realmente conseguem salvar a sua vida. Um abraço, um único. Daqueles que o perfume da pessoa impregna em você, daqueles que você sente o coração do outro batendo junto do seu. Um abraço salvador, um abraço tranqüilo e forte. Só precisava disso para continuar, seguir em frente da maneira que não sei como é. Num abraço você encontra forças que nunca encontraria.

Veria a neve, afinal. Se eu tivesse um abraço verdadeiro todos os dias. Porém, devo me perguntar, onde estão os super-heróis? Aqueles que me abraçavam quando eu insistia em desmoronar. Ó céus, onde estão os super-heróis? Eu os perdi no meio do caminho e eles se perderam de mim. Ou eu os perdi quando me perdi de mim mesma?

Às vezes o tempo salva alguma esperança. Às vezes alguma esperança salva o tempo. De vez em quando os dois se afundam. Mas não vou mentir, aquela noite me fez rir até a barriga doer, com havia tempo eu não ria. Aquela noite salvou a minha vida por aqui. Mas logo depois amanheceu e o dia pareceu duro novamente, hoje amanheceu de novo e a tal vida morreu, como se não fosse novidade.

É o esforço que ninguém vê. Aquele que você da o seu melhor, mas o seu melhor não é o melhor para os outros. E assim começam a passar os dias, onde me agarro ao ar, fingindo que consigo me manter viva, totalmente viva por aqui. Oi, solidão. Você tem se tornado a minha melhor amiga e a pior inimiga. Quem é que disse, afinal, que a vida ia se quebrar?

O meu mundo ta ruindo, minha vida ta ruindo. Tenho perdido minha vida aqui e a minha lá, então pergunto, e agora?


Valdagno, 5 de outubro de 2009. 20:00

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