A solidão é uma sala vazia, onde a luz ainda acesa numa madrugada, ecoa tanto que faz duvidar se há silêncio ou barulho.
Eu que
caminho por esses cômodos, encontro fantasmas de dias tumultuados e
sentimentos, ainda que já naufragados, percorrem na solidão dos dias que
insistem em acontecer.
Já
desgostei mais desse tempo de solitude. Já enterrei em mim muitos anseios sobre
mim mesma e hoje apenas sigo, num misto entre pressa para sair de casa e ansiedade
para se esconder do mundo.
Tem
escorrido o proposito disso tudo – que por aqui, talvez nunca tenha existido. E
dos dias que passam e ninguém vê, eu anseio vivamente ir embora.
Viver entre
as sombras é doloroso. Um grito ecoando no escuro, num eterno pedido para ir
embora. Permanecer onde não existe permanência e os planos pro futuro se esvaem
junto de garrafas de cerveja.
Eu não faço
mais questão e entre minha voz que não sai, eu também não percorro mais lugar
algum. Eu deixei de ser todo o furacão e tenho tentado ser água calma, numa
esperança que eu algum dia consiga ancorar.
A sala
vazia, com as luzes acesas, grita em agonia um pedido de ajuda – mas ninguém vê
e ninguém ouve.
Àquela que
tanto queria ser vista, se torna invisível, muda. Ninguém corre pra socorrer e
ninguém se lembra de ajudar.
Algumas
vezes já afirmei ser sozinha, mas eu tenho certeza que dessa vez, onde um
domingo inteiro se vai sem o som do telefone tocando, sem uma mensagem
recebida, sem passos no corredor; é realmente o ponto mais alto da solidão.
Eu não me
afogo, mas me encontro em alto mar, onde não naufrago, mas também não ancoro.
Porto, 27
de abril de 2025. 22:00
