Se eu fecho os olhos, consigo te sentir passando por mim, sentando ao meu lado e me contando qualquer história da tua vida, enquanto enche meu copo e acende teu cigarro. Eu sinto a minha mão procurando a tua e então, num milésimo de segundo, onde átomos meus encontram com átomos teus, o tempo para e o universo entra em combustão.
Nos
encontramos então deitados na minha cama, como fazíamos anos atrás, encarando o
mesmo velho teto, entrelaçando nossos corpos, sendo engolidos madrugada a
dentro.
Você, agora,
porém, se vira e me pergunta se eu lembrava há quanto tempo atrás estivemos
assim pela última vez.
E eu sorrio.
Olho você e
passando meus dedos pelas tuas mãos secas, respondo que já faziam 10 anos e
pedi, num sussurro, que por aquela noite fizéssemos de conta que ainda tívessemos 22.
Meu coração
palpitava numa leve taquicardia, a urgência saía de mim e encontrava você. Eu
ansiei muitas vezes uma noite como aquela e, deitada contigo na minha cama, eu poderia te pertencer pra sempre.
Eu teria
adormecido no teu ombro direito, como fazíamos anos atrás. Teria acordado com
um sorriso de bom dia e te pediria, de novo, pressa.
Eu tenho
sede de você.
Você me
queima e eu te encaro descendo as escadas, anuncio o teu nome aos outros e de
repente, só você importa. Você se aproxima e sinto a terra estremecer, você me
abraça, diz olá e então, não existe mais nada além da gente.
Eu ainda
sou tua.
Enquanto
você incendeia tudo aqui dentro, seguimos em hemisférios diferentes e ainda,
olhando nos teus olhos, eu imploro por mais.
Há muito o
que explorar e te encaro no escuro pedindo caminhos. Somos iguais a antes, e
ainda assim tão diferentes.
Nossos
mundos colapsaram anos e anos atrás e parece que até hoje vivemos do pó cósmico
que soltamos.
Porto, 26
de fevereiro de 2025. 13:41
