quarta-feira, 18 de junho de 2025

Solitude.

A solidão é uma sala vazia, onde a luz ainda acesa numa madrugada, ecoa tanto que faz duvidar se há silêncio ou barulho.

Eu que caminho por esses cômodos, encontro fantasmas de dias tumultuados e sentimentos, ainda que já naufragados, percorrem na solidão dos dias que insistem em acontecer.

Já desgostei mais desse tempo de solitude. Já enterrei em mim muitos anseios sobre mim mesma e hoje apenas sigo, num misto entre pressa para sair de casa e ansiedade para se esconder do mundo.

Tem escorrido o proposito disso tudo – que por aqui, talvez nunca tenha existido. E dos dias que passam e ninguém vê, eu anseio vivamente ir embora.

Viver entre as sombras é doloroso. Um grito ecoando no escuro, num eterno pedido para ir embora. Permanecer onde não existe permanência e os planos pro futuro se esvaem junto de garrafas de cerveja.

Eu não faço mais questão e entre minha voz que não sai, eu também não percorro mais lugar algum. Eu deixei de ser todo o furacão e tenho tentado ser água calma, numa esperança que eu algum dia consiga ancorar.

A sala vazia, com as luzes acesas, grita em agonia um pedido de ajuda – mas ninguém vê e ninguém ouve.

Àquela que tanto queria ser vista, se torna invisível, muda. Ninguém corre pra socorrer e ninguém se lembra de ajudar.

Algumas vezes já afirmei ser sozinha, mas eu tenho certeza que dessa vez, onde um domingo inteiro se vai sem o som do telefone tocando, sem uma mensagem recebida, sem passos no corredor; é realmente o ponto mais alto da solidão.

Eu não me afogo, mas me encontro em alto mar, onde não naufrago, mas também não ancoro.

 

Porto, 27 de abril de 2025. 22:00

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